Zika – vírus pode danificar a memória de adultos infectados?

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Imagem: reprodução

Sabe-se que o vírus Zika foi originalmente identificado em 1947, em Uganda, e desde então surtos já foram reconhecidos em diversas regiões da África e Ásia. O epicentro do surto atual é o Brasil e houve uma inquestionável correlação positiva entre casos de infecção e o aumento de casos de microcefalia em fetos. Acreditava-se que, a par do impacto no cérebro dos fetos, 80% dos adultos infectados ficam assintomáticos e os 20% restantes apresentam apenas febre, rash cutâneo e dores articulares por 7 dias. Os resultados de uma pesquisa vieram desafiar a crença de que nada mais acontece.

Experimentos com camundongos concebidos para mimetizar a infecção humana por Zika, demonstraram que o vírus também ataca células imaturas no cérebro adulto, em duas regiões do hipocampo vitais para as funções de aprendizado e memória. Ao longo do tempo, esta perda de células poderia levar a encolhimento do cérebro e prejuízo mental muito semelhante àquele encontrado na demência de Alzheimer.

Ainda não se sabe em que extensão o modelo animal se aplica a nós, ou mesmo se o dano cerebral é permanente, mas ainda assim, este estudo é um alerta para as autoridades de saúde pública: ser infectado por Zika enquanto adulto pode ser menos inócuo de que se pensa, especialmente para aqueles que apresentam um sistema imunológico enfraquecido e pode ser necessário monitorar todos os infectados, e não apenas as mulheres grávidas.

Confira aqui o artigo:
Zika Virus Infects Neural Progenitors in the Adult Mouse Brain and Alters Proliferation

 

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