Síndrome de Tourette – mais do que chega aos ouvidos?

cameron
Imagem: reprodução

Em 2012, um político britânico disse na televisão que sentar-se à frente de seu opositor era como estar sentado à frente de um indivíduo com Tourette. Mas o que ele quis dizer com isso? Que há algum problema em sentar-se frente a frente com alguém com Tourette? Ou que pessoas com Tourette são incoerentes, xingam o tempo todo, ou que o que elas têm a dizer é irrelevante? Há muito preconceito em torno da doença.

A síndrome de Tourette é um transtorno hereditário, vinculado a anormalidades no gânglio basal do cérebro. Algumas pesquisas sugerem que o risco de desenvolver Tourette é maior em prematuros.  A síndrome se  caracteriza pela presença de tiques motores e de pelo menos um tique vocal. Tiques motores são movimentos corporais involuntários, como piscar, fazer uma careta, encolher os ombros ou mover subitamente o braço. Tiques vocais são sons involuntários, como cantarolar, limpar a garganta, ou gritar uma palavra ou frase.

Os sintomas começam a se manifestar geralmente entre 5 e 18 anos e, apesar de percebido como um dos mais disfuncionais, a coprolalia (ato de xingar ou gritar frases socialmente inaceitáveis) só está presente em cerca de 10 a 15% dos indivíduos acometidos. Na maioria das pessoas, a frequência e intensidade dos tiques flutuam, podendo aumentar quando elas têm infecções ou são submetidas a estresse, e tendendo a diminuir com o passar do tempo. Embora seja uma ocorrência muito rara, a manifestação da síndrome de Tourette na idade adulta também existe. A síndrome não afeta a inteligência – embora as crianças possam apresentar maior lentidão no aprendizado – e nem a expectativa de vida.

Nos EUA e na Inglaterra, a prevalência de Tourette oscila entre 1 e 2%, e é muito mais comum em homens. As opções de tratamento medicamentoso são anti-hipertensivos e relaxantes musculares (em casos leves e moderados) e antipsicóticos (em casos mais graves). As opções não farmacológicas são diversas, entre as quais a terapia cognitivo-comportamental, a acupuntura, a hipnose e a terapia de reversão do hábito (esta última consiste em identificar determinado gatilho que precede os sintomas e buscar uma forma alternativa de alívio que seja menos evidente do que o tique, como, por exemplo,realizar uma inspiração mais profunda). Apenas nos casos mais graves, que não respondem a outros tratamentos,considera-se a possibilidade de cirurgia.

Saiba mais em:
Mayo Clinic: Tourette syndrome

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2 respostas para “Síndrome de Tourette – mais do que chega aos ouvidos?”

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