Os antipsicóticos de segunda geração são melhores que os de primeira geração?

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Imagem: reprodução

Quando os antipsicóticos de segunda geração foram introduzidos no mercado, no início da década de 90, foram conclamados como um grande avanço no tratamento das psicoses. Eles aparentavam vantagens importantes sobre seus predecessores, incluindo melhor eficácia na melhora clínica e na tolerabilidade. Alegava-se que o alto custo destes medicamentos seria sobrepujado pela economia resultante da menor utilização dos serviços de saúde. De fato, o mercado mundial de vendas de antipsicóticos aumentou mais de 30 vezes desde o final da década de 80, chegando a U$ 15 bilhões por ano no final da primeira década deste século.
A despeito destas alegações, as revisões sistemáticas forneceram apenas apoio limitado à superioridade dos antipsicóticos de segunda geração. A maior parte desta evidência provinha de estudos financiados pela indústria farmacêutica, de curta duração, onde os pacientes são altamente selecionados; as taxas de abandono são altas e os desfechos se baseiam em comparações estatísticas de escalas de sintomas. Os responsáveis pelas políticas de saúde dos EUA e Inglaterra se viram então frente a um dilema a com respeito do aumento de custos do sistema de saúde e da ausência de demonstração de melhora dos pacientes. Afinal, os antipsicóticos de segunda geração são superiores aos de primeira geração de maneira incontroversa? Onde está a evidência de que eles representam um avanço na rotina de cuidados dos serviços de saúde mental?
Para responder a essa pergunta, no final da década de 90, os órgãos públicos dos dois países financiaram, de maneira independente, estudos “pragmáticos”, sem participação da indústria farmacêutica. Ensaios clínicos pragmáticos, caracteristicamente, permitem um amplo critério de inclusão de pacientes, e procuram mimetizar ao máximo a rotina de atendimento, aliado a um padrão rigoroso de estudo com alocação aleatória de participantes. Seu propósito era esclarecer os efeitos dos tratamentos na prática clínica da vida real e em diversas populações de pacientes.
Estes dois grandes estudos (CATIE nos EUA e CUtLASS na Inglaterra) não foram capazes de demonstrar que os antipsicótios de segunda geração são, no geral, mais efetivos ou melhor tolerados que os antipsicóticos de primeira geração. A convergência dos resultados dos dois estudos foi considerada contundente.
Veja mais informações aqui:
CATIE and CUtLASS: can we handle the truth?

 

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