Estresse e prognóstico de câncer

rat
Imagem: reprodução

Estresse não causa câncer, mas ainda não se sabe de que maneira o estresse é capaz de afetar o prognóstico de pacientes com câncer. Graças a uma pesquisa conduzida em animais, os cientistas já podem afirmar que o estresse desempenha um papel importante na maneira como o câncer se espalha pelo corpo – isto é, na metástase.

Submetendo camundongos fêmeas com câncer de mama a um ambiente de confinamento para reproduzir os efeitos físicos e emocionais de seres humanos estressados, os cientistas verificaram como o estresse transforma o sistema linfático numa via expressa para que as células tumorais do seio se espalhem pelo corpo. O estresse atua como um facilitador, aumentando a velocidade desta “viagem”. Quando comparados a camundongos cancerosos não submetidos a estresse, o câncer se espalha seis vezes mais rápido nos estressados.

Há notícias alvissareiras, ao menos para os camundongos. Os pesquisadores  verificaram que a administração de beta-bloqueadores aos animais (uma classe antiga de medicamentos utilizados para pressão alta e arritmias cardíacas), foi capaz de anular esta dispersão rápida das células tumorais.

Atualmente, um estudo inicial em seres humanos está sendo conduzido  na Austrália, onde mulheres com câncer de mama estão recebendo propranolol (um beta-bloqueador) ou placebo no período peri-operatório, enquanto seus níveis de estresse são monitorados por meio de exames sanguíneos  – o estresse é capaz de deixar uma espécie assinatura nas células brancas, o que permite o monitoramento. Se os resultados do estudo forem promissores, a esperança é de que sejamos capazes de desenvolver beta-bloqueadores com atuação específica nas células cancerígenas, e não no coração.

Confira aqui o artigo:
Nature: Chronic stress in mice and tumour dissemination

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *