É melhor sofrer do que ter medo

Pesquisadores do Reino Unido convidaram 45 voluntários para um jogo de computador, que consistia em remover pedras sob as quais poderia haver uma cobra. Caso houvesse, o participante recebia um pequeno choque na mão. À medida que os participantes se familiarizavam com o jogo, as chances de determinada rocha abrigar uma cobra mudavam, resultando numa flutuação dos níveis de incerteza. Os pesquisadores mediram o nível de incerteza dos participantes através de um modelo computacional complexo e o nível de estresse foi avaliado pela dilatação de pupilas, transpiração e pelo próprio relato dos participantes.

Os momentos mais estressantes foram aqueles onde os indivíduos tinham 50% de chance de receber um choque, enquanto 0% ou 100% de chance de receber um choque produziram níveis mínimos de estresse. Quanto maior o nível de incerteza, maior foi o nível de estresse. Os autores comentam: “É muito pior não saber se você vai levar um choque do que saber se vai ou não. Quanto maior a incerteza, maior a dilatação das pupilas e a sudorese”. E ainda, pessoas cujo nível de estresse se correlacionaram rigorosamente com seus níveis de incerteza, foram melhores em adivinhar se receberiam um choque, sugerindo que o estresse é importante para calcular o risco de cada coisa. Parece que o estresse é, antes de tudo, uma ferramenta de sobrevivência.

“Sorrow is better than fear. Fear is a journey, a terrible journey, but sorrow is, at least, an arriving.”
Father Vincent in “Cry, the Beloved Country”; Alan Paton’s novel.

Computations of uncertainty mediate acute stress responses in humans

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *