Dor crônica e veneno de aranha

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Imagem: www.spidersworld.eu

A dor é um sistema complexo, no qual a ativação de fibras nervosas produz reflexos protetores agudos – mas também respostas inadequadas, que contribuem para a persistência da dor. Várias “patologias funcionais” (situações em que a pessoa experimenta sintomas, mas os testes diagnósticos não são capazes de revelar anormalidades estruturais ou bioquímicas) são associadas à dor crônica ou intermitente, como enxaqueca, fibromialgia e síndrome do cólon irritável. Não se sabe ao certo o que causa estas condições, mas acredita-se que fatores emocionais, estresse, dieta, medicamentos e hormônios possam disparar um gatilho ou provocar os sintomas.

Recentemente, uma equipe de pesquisadores dos EUA e da Austrália foi capaz de trazer uma nova luz a esta investigação. Partindo do princípio de que alguns animais produzem venenos que causam dor lancinante como forma de defesa contra predadores, os pesquisadores testaram amostras destas substâncias provenientes de diversos animais peçonhentos no intuito de detectar os nervos ativados quando em contato elas. O resultado mais contundente foi obtido com o veneno da tarântula – ou Heteroscodra maculata para os íntimos, que apresentou a capacidade de estimular fortemente um grupo de neurônios potencialmente interessantes.

O principal achado do estudo, publicado este mês na Nature, foi a descoberta de que determinados subtipos de canais de sódio presentes em neurônios (em especial a isoforma Na­­V1.1) estão associados à intensidade ou persistência da dor. Já se sabe que mutações nesta isoforma estão relacionadas a doenças como epilepsia, autismo e demência de Alzheimer. Os pesquisadores detectaram também a presença de canais Na­­V1.1 nas células nervosas do intestino, sugerindo uma conexão com a dor abdominal experimentada por alguns pacientes com síndrome do cólon irritável. Para os autores, a identificação do papel destes canais na sinalização da dor crônica pode ser o primeiro passo na direção da criação de novos medicamentos.

Confira aqui o resumo da publicação:
Selective spider toxins reveal a role for the Nav1.1 channel in mechanical pain

4 respostas para “Dor crônica e veneno de aranha”

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