Depressão ou demência – o que vem primeiro?

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Imagem: reprodução

Há tempos uma pergunta assombra clínicos e especialistas: a depressão é um fator de risco para demência ou vice-versa? Parece que finalmente um estudo epidemiológico avançou alguns passos em direção à resposta desta questão.

Pesquisadores holandeses conduziram um estudo utilizando dados dos participantes do “Estudo de Rotterdam”, que vem coletando informações sobre adultos com mais de 55 anos desde o ano de 1990. Inicialmente, foram selecionados indivíduos participantes que não apresentavam demência no início da coleta de dados. Em seguida, entre os anos de 2003 e 2004, foram avaliados  sintomas de depressão nestes indivíduos, em três momentos distintos. Os participantes foram acompanhados durante 10 anos após a última avaliação dos sintomas depressivos no intuito de se  detectar um diagnóstico de demência neste período.

A análise dos dados mostrou que o grupo que apresentava sintomas mais graves de depressão, bem como aqueles indivíduos cujos sintomas de depressão se agravaram ao longo do tempo, apresentou maior risco de desenvolver demência do que os grupos cujos sintomas de depressão permaneceram leves ou se atenuaram. Os autores do estudo consideraram estes achados consistentes com a hipótese de que sintomas depressivos na idade avançada representam uma fase inicial de demência e de que, talvez, depressão e demência compartilhem uma causa comum. No entanto, o fato de os autores não terem feito distinção entre os diferentes tipos de demência é um tanto decepcionante, já que é sabido, por exemplo, que a demência de Alzheimer e a demência vascular possuem causas diferentes e, portanto, é provável que sua relação com a depressão também seja diversa.

Aqui você confere o resumo do artigo:
Depression in old age—the first step to dementia?

4 respostas para “Depressão ou demência – o que vem primeiro?”

  1. Adorei Gi,eu sempre associei a depressão inicial a perda de memória já sentida pelo paciente.Essa explanação me fez ampliar o que pensava.bjo e parabéns!

  2. Boa Gisele,
    Acredito ser bastante complicado para a maioria das famílias de uma forma geral, entender, compreender ou perceber a diferença entre a depressão e a demência. A minha sogra e suas irmãs todas tem ou tiveram quadro de depressão. Na época percebi claramente a diferença entre uma e outra doença. Porém, filhas e filhos envolvidos não percebiam com clareza a situação. Na verdade que cuida ou convive com essas pessoas acabam adoecendo e não encherga o quadro degenerativo da pessoa. A depressão em muitos caaos acaba levando a pessoa a tendências suicidas. Manter se neutro nesses casos é muito difícil. Ter uma visão geral dos fatos sem se deixar levar emocionalmente é uma tarefa dificílima. Passei por isso. Como um grande amigo cardiologista disse “conhecemos tudo de coração e pouco ou zero do cérebro” vamos esperar que a neurociencia nós traga novas informações.
    Abc.
    Vitorino – UPER

    • É muito complicado mesmo, Vitorino. Os familiares sofrem muito. Estamos torcendo muito pra que haja avanços significativos nesta área.
      Abs

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