Contraceptivos orais combinados e o risco de trombose

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Os contraceptivos orais combinados são amplamente utilizados para evitar a gravidez e consistem na associação de dois hormônios: um estrógeno e um progestógeno. A trombose venosa – formação de coágulo sanguíneo em uma veia – é um evento adverso raro e sério, associado ao uso de contraceptivos orais. O risco de que uma mulher fazendo uso deste método anticoncepcional desenvolva uma trombose é maior do que o risco em mulheres que não o fazem. A incidência de trombose entre mulheres é baixa (cerca de 3 casos por 10 mil mulheres ao ano), mas, ainda assim, trata-se de uma ocorrência grave e, considerando a quantidade de mulheres que fazem uso de contraceptivos orais combinados, é um número que não pode ser ignorado. Alguns fatores genéticos predispõem à trombose, além de obesidade, uso de cigarro, síndrome do ovário policístico e aumento da idade, entre outros.

Logo após a introdução dos contraceptivos orais combinados no mercado, foi observado que o componente estrogênico do medicamento era o principal “culpado” pelo aumento no risco de trombose. Uma vez que quanto maior a concentração do estrógeno, maior o risco, ao longo do tempo a concentração deste componente foi sendo diminuída. Atualmente, o estrogênio utilizado é o etinilestradiol. O componente progestogênico, por sua vez, varia bastante entre as formulações e há indícios de que sua interação com o estrógeno resulte em maior ou menor risco de trombose. Quais seriam, então, as melhores combinações de estrógeno e progestógeno?

Uma revisão sistemática publicada em 2014 avaliou os resultados de 26 estudos publicados que comparavam o risco de trombose entre mulheres fazendo uso de contraceptivos hormonais contendo etinilestradiol associado com os progestogênios gestodeno, desogestrel, norgestimato, acetato de ciproterona, drospirenona e levonorgestrel e mulheres que não utilizavam contraceptivos orais combinados. Os autores observaram que o aumento no risco era similar para as todas as formulações, exceto aquelas contendo levonorgestrel, que apresentavam risco mais baixo. Os autores concluíram que a melhor prescrição seria o contraceptivo com a menor dose possível de etinilestradiol associado ao levonorgestrel.

Veja aqui o artigo:
Different combined oral contraceptives and the risk of venous thrombosis

4 respostas para “Contraceptivos orais combinados e o risco de trombose”

    • olá, Andréa! os contraceptivos injetáveis contém apenas hormônio do tipo progestógeno e não uma combinação de progestógeno com estrógeno, como a maioria dos contraceptivos de uso oral. em um artigo de revisão publicado em 2012 no BMJ, os autores concluiram que os contraceptivos a base apenas de progestógeno, administrados por via oral ou intrauterina (DIU hormonal), parecem mais seguros que os contraceptivos orais combinados em relação ao risco de trombose. entretanto, os contraceptivos injetáveis apresentam risco de trombose similar aos orais combinados. se você quiser ler o artigo, segue o link:

      Assessing the risk of venous thromboembolic events in women taking progestin-only contraception: a meta-analysis

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