Cogumelos mágicos – um alucinógeno no tratamento da depressão?

alice mushroom
Imagem: reprodução

A psilocibina é um composto presente em algumas espécies de cogumelos do gênero Psilocybe e que ganhou alguma popularidade na década de 60, junto ao movimento hippie. O composto apresenta ação alucinógena e sua estrutura molecular é análoga à do neurotransmissor serotonina. No entanto, a psilocibina atua em receptores serotoninérgicos distintos daqueles em que atuam os medicamentos classificados como “inibidores seletivos da recaptação da serotonina”. Por essa razão, acredita-se que esta substância tenha algo a acrescentar ao rol de antidepressivos disponíveis atualmente.

Após as pesquisas iniciais realizadas em animais, conforme determina o protocolo de fases de investigação de novos medicamentos, foram iniciados os primeiros estudos em seres humanos. Um artigo publicado em junho deste ano na Lancet, uma das mais conceituadas revistas médicas do mundo, relata a primeira investigação sobre a segurança e a eficácia da psilocibina no tratamento da depressão maior e da depressão resistente a tratamento, segundo os autores.

Os pesquisadores submeteram doze pacientes com depressão grave ou resistente à ingestão de duas doses orais do alucinógeno: a primeira de 10mg, e a segunda, sete dias depois, de 25mg. Ressalta-se que não houve um “grupo controle” neste estudo –  pessoas que não tomaram psilocibina para fins de comparação. Os resultados obtidos foram promissores: embora em patamares variáveis, onze participantes melhoraram seus escores em testes para diagnóstico de depressão e ansiedade. Tais testes, cabe ressaltar, foram realizados entre uma semana e três meses após a administração da psilocibina.

Outro ponto de destaque da pesquisa foi a verificação de que a substância também foi relativamente bem tolerada pelos pacientes. Durante os testes, além de nenhum paciente precisar tomar um “sossega leão” , os efeitos adversos também foram suaves, incluindo apenas ansiedade, desordem do pensamento, náusea e cefaleia. No entanto, embora as perspectivas de utilização da psilocibina como tratamento para a depressão grave pareçam animadoras, ainda não é possível recomendá-la com base exclusiva nesta evidência.

Confira aqui o artigo:
Psilocybin with psychological support for treatment-resistant depression“sossega-leão”

2 respostas para “Cogumelos mágicos – um alucinógeno no tratamento da depressão?”

  1. Como clínico e intensivista nefrologista fiquei muito interessado no tema desenvolvido, até mesmo pelas frequentes vivências clínicas de delirium hiperativo com agitação psicomotora grave.
    Achei muito muito esclarecedor .

    • Sim, João. E vice-versa. Quando um paciente agitado chega a uma emergência psiquiátrica, a maior preocupação dos clínicos é excluir a hipótese de uma causa não psiquiátrica, tipo metabólica, por exemplo. E, na maioria das vezes, eles têm que agir antes de obter resultados de exames. É sempre uma situação delicada.

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