Casamento e doença mental

Os países nórdicos têm a tradição de possuir grandes bancos de dados epidemiológicos, onde informações são coletadas de maneira extensa para todos os indivíduos. Isso possibilita uma ótima oportunidade de se fazer uma pesquisa honesta, com grande número de indivíduos, sem sair da cadeira, desde que se tenha uma boa ideia.

Casais podem se assemelhar em diversas características e esta “semelhança marital” pode estar presente em uma série de distúrbios psiquiátricos. O “acasalamento não aleatório”, nome dado a uma tendência de pessoas com características semelhantes acasalarem ou procriarem entre si, poderia ter implicações no entendimento da transmissão e persistência de doenças mentais.

Esta é a justificativa para o mergulho nestes registros populacionais na Suécia, de onde foram selecionados 707.263 residentes com algum diagnóstico psiquiátrico de interesse juntamente com seus parceiros – déficit de atenção, autismo, esquizofrenia, doença bipolar, depressão, agorafobia, fobia social, distúrbio de ansiedade generalizada, distúrbio obsessivo-compulsivo, anorexia ou abuso de substâncias. Uma amostra da população geral foi incluída para comparação. Os pesquisadores procuraram então uma correlação no diagnóstico dos casais, entre as várias condições psiquiátricas.

A conclusão dos autores foi que o “acasalamento não aleatório” é disseminado na população psiquiátrica. Eles consideram que este fenômeno, que não é tão frequente em populações não psiquiátricas, pode trazer implicações importantes para a maneira com que compreendemos a transmissão familiar destas morbidades. A conferir.

Veja aqui o link para o resumo do artigo:
Patterns of Nonrandom Mating Within and Across 11 Major Psychiatric Disorders

 

casamento louco
Imagem: André Dahmer / Malvados

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