Ativação comportamental – um tratamento simples e barato para a depressão?

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Imagem: reprodução

Estima-se que a depressão afeta 350 milhões de pessoas em todo o mundo e que a depressão não tratada irá custar mais de 5 trilhões de dólares à economia mundial entre 2010 e 2030. Os tratamentos mais efetivos são antidepressivos e terapia cognitivo-comportamental (TCC). Se por um lado o uso de medicamentos é limitado pelos efeitos adversos e baixa aderência dos pacientes ao tratamento, a TCC, por outro, tão efetiva quanto os antidepressivos e com efeitos mais prolongados, depende de treinamento específico do terapeuta. Na maioria dos países, o acesso a psicoterapias é limitado e, mesmo em países mais abastados, os custos do tratamento nem sempre são cobertos, mesmo por planos de saúde privados.  Na Inglaterra, 10% dos deprimidos estão há mais de um ano em listas de espera para psicoterapias e, nos Estados Unidos, apenas 25% dos deprimidos receberam qualquer tipo de tratamento psicoterápico no último ano.

Uma terceira geração de TCC, a ativação comportamental, vem ganhando atenção dos pesquisadores. Trata-se de um método psicoterápico mais simples, que pode ser aplicado por profissionais relativamente inexperientes, com um treinamento mínimo. Em linhas gerais, a ativação comportamental tem seu foco no modo como as pessoas agem e procura auxiliar o indivíduo a estabelecer um vínculo entre o comportamento e o humor, buscando situações mais positivas em sua vida. Em contraste, a TCC é centrada no modo como a pessoa pensa, e o terapeuta procura identificar e transformar os pensamentos negativos. Estudos conduzidos no Irã, Índia e Iraque levaram a Organização Mundial de Saúde a recomendar a ativação comportamental para tratamento da depressão em locais com poucos recursos.

Publicado no The Lancet, com direito a chamada no editorial da revista, um manuscrito descreve um dos maiores estudos avaliando psicoterapias para depressão já conduzidos. Pesquisadores ingleses recrutaram 440 adultos deprimidos em três regiões do país, procurando formar uma composição de participantes muito semelhante à que se encontra na prática clínica, para que os resultados pudessem ser aplicáveis à vida real. Os participantes foram designados aleatoriamente para tratamento com 20 seções de ativação comportamental, com profissionais de saúde mental relativamente inexperientes ou para 20 seções de TCC clássica, com profissionais pós-graduados. Após um ano e meio de seguimento, as duas condutas foram consideradas igualmente eficazes, com cerca de 2/3 dos indivíduos referindo melhora em pelo menos 50% dos sintomas depressivos – em ambos os grupos. O editorial do jornal ressalta a importância do estudo para países como o Reino Unido, onde o governo financia o sistema de saúde e onde existem manuais baseados em evidências para amparar a prática clínica.

Confira aqui o artigo:
Cost and Outcome of Behavioural Activation versus Cognitive Behavioural Therapy for Depression

E neste link, um vídeo sobre ativação comportamental:
CBT Technique: Behavioral Activation

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