Demência e medicamentos para refluxo e gastrite

Imagem: Erasing herself, Roberta Coni, 2010

Refluxo gastroesofágico, gastrite e úlcera péptica são doenças bastante comuns em todos os países e o tratamento muitas vezes envolve medicamentos chamados de “inibidores de bomba de próton”, que estão entre as classes de medicamentos mais utilizadas no mundo – no Brasil, os mais difundidos são o pantoprazol e o omeprazol. No entanto, alguns estudos já publicados indicaram uma associação entre o uso destes medicamentos e sinais de demência.

As demências são caracterizadas pelo declínio das funções cognitivas de forma cumulativa e pela incapacidade de viver de maneira independente. A prevalência destas doenças vem aumentando e estima-se que, em  2040, mais de 80 milhões de pessoas poderão sofrer de demência no mundo.  Uma das formas de diminuir o aumento no número de casos é detectar potenciais fatores de risco para seu desenvolvimento, o que inclui a busca por eventuais relações com o uso prolongado de medicamentos por idosos.

Para avaliar a associação entre o risco de desenvolver demência e o uso de medicamentos inibidores de bomba de próton, pesquisadores avaliaram dados detalhados de um estudo de coorte prospectivo, longitudinal e multicêntrico, o “German Study on Aging” (AgeCoDe), obtidos entre os anos de 2004 e 2011. Na análise, foram considerados os diagnósticos de 73.679 pacientes em atendimento ambulatorial e internados com idade igual ou superior a 75 anos e que não apresentavam sinais de demência à época da coleta dos dados. Foram levados em consideração também fatores que poderiam apresentar alguma relação com o diagnóstico de demência, como idade, sexo, grau de escolaridade, fatores genéticos, depressão, diabetes, acidente vascular cerebral e o uso de outros medicamentos. Ao todo, foram identificados 2.950 pacientes que fizeram uso regular de omeprazol, pantoprazol, lansoprazol, esomeprazol ou rabeprazol. Estes pacientes mostraram um aumento de 44% no risco de desenvolver demência quando comparados aos 70.729 pacientes que não utilizaram inibidores de bomba de próton.

Os resultados do estudo foram publicados em fevereiro deste ano e, segundo os autores, fornecem uma associação estatística entre o uso de medicamentos inibidores de bomba de próton e demência. Assim, há indícios de que evitar o uso desta classe de medicamentos por idosos pode prevenir o desenvolvimento de casos de demência. No entanto, os pesquisadores salientaram a necessidade de estabelecer uma relação de causa e efeito através da realização de estudos clínicos randomizados.

Veja aqui o resumo da publicação:
Association of Proton Pump Inhibitors With Risk of Dementia

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