Antipsicóticos off-label para adolescentes

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Os antipsicóticos vêm sendo cada vez mais utilizados em adolescentes não psicóticos em situações não recomendadas na bula dos medicamentos (“off-label”), como já comentamos aqui, por exemplo. Na sequência, a preocupação com os efeitos adversos cardiometabólicos, em especial a diabetes tipo 2, aumentou também.

Pesquisadores conduziram uma revisão sistemática (veja o resumo) para avaliar o risco de adquirir diabetes tipo 2 associado ao uso de antipsicóticos na adolescência. Eles incluíram 13 estudos, totalizando 185.105 adolescentes em uso de antipsicóticos por pelo menos 3 meses. Os participantes eram 60% do sexo masculino, com média de idade de 14 anos. O tempo médio de seguimento dos participantes para aferição dos desfecho (diabetes tipo 2) foi de 1,7 ano.

Embora o risco absoluto de adquirir diabetes seja pequeno, em termos relativos, ele é três vezes maior em relação a controles saudáveis e duas vezes maior comparado a adolescentes com problemas psiquiátricos, mas não em uso de antipsicóticos. Este risco também esteve mais associado ao sexo masculino, ao tempo de utilização do medicamento e ao uso de antipsicóticos de segunda geração, especialmente a olanzapina.

Os autores chamam a tenção para o fato de que a menor diferença encontrada na comparação com os pacientes psiquiátricos do que com os controles saudáveis, deve refletir o estilo de vida pouco saudável e uso de outros medicamentos por parte dos pacientes psiquiátricos, que pode por si só aumentar o risco de ganho de peso, distúrbios metabólicos e diabetes tipo 2.

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