Antidepressivos – quão bons eles são, afinal?

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Imagem: reprodução

Em algumas situações, como por exemplo o tratamento de infecções bacterianas com antibióticos, a diferença entre a efetividade de um medicamento e um placebo é impressionante. Em outras, como na depressão, nem tanto. Efeito placebo é a melhora clínica devida às expectativas dos participantes de um estudo, o efeito benéfico decorrente do fato de estarem sendo cuidados. Nos últimos 20 anos, os estudos indicavam que os antidepressivos funcionavam para cerca de 70% dos pacientes, e o placebo, para 30%.

Essa diferença expressiva ocorreu porque os primeiros estudos foram realizados com antidepressivos tricíclicos e incluíam pacientes graves e hospitalizados. Ao tempo do surgimento de uma nova classe de antidepressivos com efeitos adversos mais toleráveis (os inibidores seletivos de receptação de serotonina), os manuais ampliaram a categoria diagnóstica da depressão, o que permitiu que um grande número de indivíduos possa, agora, ser classificado como “deprimido”, e não apenas aqueles casos dos primeiros estudos. Intencionalmente ou não, expandiu-se o mercado de antidepressivos.

Quando as revisões sistemáticas dos estudos focam apenas nas novas categorias de antidepressivos (inibidores seletivos de receptação de serotonina e inibidores seletivos de receptação de serotonina e norepinefrina), a efetividade dos antidepressivos cai a 40%, comparadas a 30% do placebo. Em outras palavras, é preciso tratar 10 pacientes com esta nova categoria de antidepressivos, para que apenas um paciente melhore.

Confira aqui o artigo:
Antidepressants versus placebo in major depression: an overview

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